7.1.26

séries, 2025

dept. q (2025)


el eternauta (2025)


the bear (2022)


the white lotus - temporada 3 (2025)


5.1.26

livros, 2025

the book of love - kelly link

Thomas has spent much of his long life in various shapes and forms. [...] He prefers, now, to remain human. The human body is nourishment to the hatred that sustains him. A star-nosed mole or a bat or a fox, all things he has been at times, is too easily distracted. Sensation blots out reason and unreason, too. [...]

Thomas wonders sometimes about Anabin, who, Malo Mogge says, greatly perplexed, is always only himself. All of these centuries unchanged. What thing can he not bear to give up? That he changes not lest he risk it being changed as well?

Though even Anabin must be something other than what he once was. Not to change is also to change, of course.




a terra dá, a terra quer - antônio bispo dos santos

Ecologia é uma palavra utilizada pelos acadêmicos. No quilombo, não existe ecologia, existe a roça de quilombo, a roça de aldeia, a roça de ribeirinho, a roça de marisqueiro, a roça de pescador, a roça de quebradeira de coco. Por que a academia usa a palavra ecologia, e não agricultura quilombola? Por que não usa roça indígena? As universidades são fábricas de transformar os saberes em mercadoria e a agricultura quilombola não é mercadoria. Mas os saberes considerados válidos são aqueles que a universidade converte em mercadoria.




o invencível verão de liliana - cristina rivera garza (trad. silvia massimini felix)

Viver em luto é isto: nunca estar sozinho. Invisível, mas evidente de muitas maneiras, a presença dos mortos nos acompanha nos minúsculos interstícios dos dias. [...] Eles estão sempre lá, estão sempre aqui, conosco e dentro de nós, e fora, envolvendo-nos com seu calor, protegendo-nos das intempéries. Esta é a tarefa do luto: reconhecer sua presença, dizer sim à sua presença. Sempre há outros olhos vendo o que vejo, e imaginar esse outro ângulo, imaginar o que os sentidos que não são os meus poderiam apreciar através dos meus sentidos é, considerando todas as coisas, uma definição pontual do amor.

O luto é fim da solidão.




bebê tem fascinação por lâmpadas - julia raiz

Bebê está cada vez mais selvagem, corre por fora do que chamam de civilização, nos morde, arranha, segura nossos lábios com os dedos e torce, testa a força do nosso cabelo, e mais tantas outras pequenas torturas que aguentamos com dor e achando graça. Quando Bebê finalmente dorme, saímos do quarto com cuidado como se estivéssemos escapando de um sequestro, mais uns passos e estaremos livres, cruzamos o batente como a um deserto, como a uma fronteira. Às vezes gostaríamos de deixar esta Terra e Bebê para trás, mas sem Bebê temos, somos pouco.




somos animais poéticos - michèle petit (trad. raquel camargo)

Pois não habitamos números, tampouco as palavras estigmatizantes das mídias ou das políticas que se referem às pessoas como um amontado de "problemas sociais". Não habitamos a língua dos boletins informativos com seu lote de horrores e suas frases convenientes para passar de uma catástrofe a outra. [...] Habitamos uma língua próxima ao corpo, às sensações, atenta aos detalhes da realidade que evoca, que abre espaço para outros lugares além do imediato, um passado ou um futuro imaginado, formado em parte de sonho. Pois a realidade precisa de fantasia para ser desejável. Porque esssa parte imaginada, invisível, é vital.



menção honrosa para: medea me cantó un corrido, dahlia de la cerda; a ilha de arturo - elsa morante (trad. roberta barni); mau hábito, alana s. portero (trad. be rgb); o livro de fazer livros (cecilia arbolave)

tudo isso & muito mais no @prefiroporescrito

ps. desculpem o atraso, ó, possíveis antigos espíritos que ainda aparecem por aqui. viajei no fim do ano & esqueci de levar os rascunhos das listas comigo. as demais categorias virão nos próximos dias.

31.12.24

livros, 2024



a substância oculta dos contos, yolanda reyes (trad. suzana ventura)

E nesse continuum da linguagem, a escrita como trabalho de passar pela vida recolhendo e lavrando pedrinhas para torná-las símbolos, para que quando um leitor as junte com as suas sinta que alguém o reconhece e o chama por seu nome.
Essas lições culturais não são evidentes e precisam ainda ser ensinadas num sentido profundo que transcende o didático. Teríamos de ensinar, por exemplo, e creio que essa é a razão que nos convoca nessas páginas, que os livros, antes de tudo, foram vozes de gente, histórias de gente e que a experiência de pertencer a uma família humana também se reflete num horizonte de consciência comum representado na linguagem.


un lugar soleado para gente sombría, mariana enriquez

Había dos chicos afuera. Al principio me alivié, pero después los miré bien y el miedo que sentí no pude explicarlo después y no pude explicarlo entonces y no puedo entenderlo ahora. Estaban mal. Eran el Mal. No hay palabras para la sensación que producían. Yo no soy supersticiosa. sé que hay cosas raras y que mucha gente las cree, pero me resultam ajenas, pura incredulidad. Pero esa noche el cuello se me endureció al instante y entendí a qué se refería la gente con piel de gallina, con escalofríos de terror, con los pelos de la nuca erizados.


a viagem inútil: trans/escrita, camila sosa villada (trad. silvia massimini felix)

A literatura é um gesto de amor, dizia Borges.
Convoca o gesto de amor, como o leitor que guardou todos os meus textos que agora posso recuperar para descobrir que amadurecer nem sempre é melhorar. Que não importa que se passem muitos anos, a escrita não é melhor ou pior, apenas muda.
Que tudo isso que escrevo nada mais é do que um ato de amor por mim mesma, que às vezes sou tão estúpida que não consigo enxergar isso. Não consigo ver o carinho que proporciono a mim mesma quando escrevo. Um carinho desajeitado que muitas vezes se parece com um golpe, mas é assim que as fêmeas transportam seus filhotes, mordendo-lhes a pele do pescoço sem causar dor.


sacrifícios humanos, maria fernanda ampuero (trad. silvia massimini felix)

Morríamos de vontade de saber o que acontecia atrás dessas portas, embora soubéssemos instintivamente que não haveria lugar para nós ali, que nossos defeitos se multiplicariam até nos tragar, que seríamos uma hipérbole de nós mesmas, espelhos ambulantes de feiras: a gordinha, a mulher-macho, a magrela, a atarracada, a pelancuda. Assim como as garotas bonitas juntas potencializam sua atratividade, sobrepondo com suas virtudes grupais qualquer defeito, e se embelezam umas às outras até que brilhem como uma única e grande estrela, garotas como nós, quando estamos juntas, se transformam num espetáculo quase obsceno, exacerbando nossos defeitos como num show de horrores: nós somos mais monstras.


futuro ancestral, ailton krenak

Quando eu falo em adiar o fim do mundo, não é a este mundo em colapso que estou me referindo. Esse tem um esquema tão violento que eu queria mais é que ele desaparecesse à meia-noite de hoje e que amanhã a gente acordasse em um novo. No entanto, efetivamente, estamos atuando no sentido de uma transfiguração, desejando aquilo que o Nêgo Bispo chama de confluências, e não essa exorbitante euforia da monocultura, que reúne os birutas que celebram a necropolítica sobre a vida plural dos povos deste planeta. Ao contrário do que estão fazendo, confluências evoca um contexto de mundos diversos que podem se afetar.


menção honrosa: soy una tonta por quererte, camila sosa villada; desglaç | degelo, maria mercè marçal (trad. be rgb & meritxell hernando marsal); a analfabeta, agota kristóf (trad. prisca augustoni) & tehanu, ursula k. leguin (trad. heci regina candiani).

17.12.24

séries, 2024

ripley (2024)


killing eve (2018)


o problema dos 3 corpos (2024)


entrevista com o vampiro (2022)


l'amica geniale - temporada 4 (2023)

31.12.23

filmes, 2023

aftersun (2022)

it feels like your organs don't work, they're just tired, and everything is tired.


tár (2022)

you gotta sublimate yourself, your ego, and, yes, your identity.


bottoms (2023)

i really value when people use violence for me, it's actually one of my love languages.


belchior: apenas um coração selvagem (2022)

meu trabalho pretende ser um objeto poético transformador, que tenda para os interesses da história do homem, um objeto útil, enfim, uma arte que sirva.


Barbie (2023)

i'm a man with no power, does that make me a woman?